João Guimarães Rosa

Foto: www.guioliva.com.br/caminho/fotos/foto_70.jpg
O caminho apresentava-se íngreme à minha frente.
Precipícios imensos assustavam-me.
Impossível percorrê-lo sem soltar minha bagagem
Mas eu precisava chegar lá
e era muito valiosa minha carga (pelo menos assim julgava eu)
O tempo perdido na decisão foi imenso
Era difícil seguir em frente
Impossível soltar o que era meu
Porém, o perigo se aproximava...
De repente, alguém me deu um empurrão
Quando me dei conta, já estava no caminho
Algumas tralhas haviam caído
E eu nem percebera
Se soubesse, teria me desfeito delas há mais tempo
Os obstáculos foram surgindo
Cada vez mais difíceis
A cada um deles, necessário se fazia desfazer-me de algo
E assim, fui seguindo cada vez mais leve...
A cada tralha desfeita, mudanças aconteciam
O caminhar ficava mais fácil
As dores do cansaço diminuíam
A prática em vencer obstáculos aumentava
O caminho ficava mais limpo
A paisagem se coloria
Algumas flores apareciam
Foi difícil perceber que o caminho sempre fora assim
O peso que eu carregava é que não me deixava perceber
Não é fácil cuidar de tralhas
Principalmente quando nos apegamos a elas
E eu as julgava tão importantes
Mero engano meu...
Foi tão bom descobrir que delas eu não precisava
No caminho, coisas novas e mais bonitas as substituíam
Nada me faltava, então não mais a nada eu me prendia
Agora nem tenho pressa para chegar ...
Carrego apenas experiências vividas, aprendidas e imortalizadas.
Leve, livre, linda e solta...
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