O “caldeirão” da Bruxa
Ela se preparara para receber seu presente. Aquele que ela mesma se daria. E seria no seu dia: o dia das Bruxas.
Recordou com afinco todas as mágicas que aprendera no decorrer de suas muitas vidas. Foi para as matas recolher todos os elementos que precisava para fazer sua “poção”. Consultou todos os oráculos. Pediu conselhos à “lua” e também ouviu o “mar” (lembrou-se da primeira vez que o desejou...). Colheu a mais rara flor e de seu extrato fez o perfume mais sensual que existe. Pediu ao vento que levasse até o homem que amava.
Apesar de todo cuidado, havia uma certa apreensão... E se o encantamento falhasse?... Não, estava tudo perfeito...nada poderia dar errado. À meia–noite ele estaria em seu “caldeirão” e seria vítima de sua fome. Sim, ela devoraria aquele corpo másculo e tão desejável ... inteirinho... Ele haveria de pagar por tê-la deixado tantas noites como aquela, sozinha. Ah, como é bom ser bruxa, pensou. Tudo pode ser real... basta desejar.
Finalmente chegara o momento. Demorara um pouco, mas no início da madrugada a porta abriu-se e ele entrou. Guiado por mãos invisíveis chegara até ela. Envolvido em abraços e beijos, nem percebeu que já se encontrava dentro do caldeirão que recebera os mais finos temperos e que já aguardava desde horas atrás aquele corpo que ela iria saborear...
Sob fogo muito intenso ela finalmente viu seu sonho ser realizado. Saboreou cada pedacinho daquele corpo delicioso... Sentiu-se também saboreada e ao chegar o mais desejado dos cansaços, dormiu como se fosse uma fada e, pela manhã, maravilhada percebeu que ainda havia sobrado um pouquinho para se deliciar.
Totalmente satisfeita, sem pressa, levantou-se, leve como uma pluma, tomou seu banho de orvalho e relva fresca e saiu...
(não antes de arrumar seu ”caldeirão”. Mas... pensando bem, desta vez resolveu não trocar os "lençóis", o cheiro dele ainda continuava ali e um novo desejo começava a surgir ...)
....
Qualquer semelhança é mera coincidência ...



















