26 de jul. de 2012

A distância que aproxima


Às vezes, a vida prega-me peças 
e, tentando entendê-la, aqui fico eu.
Insiste em fazer-me amar-te tanto
e em juntar meu destino ao teu.
Mas, quanto mais te tenho, mais longe te sinto.
E quando menos te tenho, mais te sinto meu.
E é por essas e outras e por querer-te tanto,
que desisti de ter-te, grande amor meu.

(entenda...)

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Sueli Benko

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9 de jul. de 2012

Provei meu amor por mim...



Provei meu amor por mim no momento em que descobri uma grande besteira que fiz e não fiquei contra mim e nem me arrependi. Entendi que não sou, não poderia e nem pretendo ser perfeita. Quando me percebi quase ficando triste e envergonhada, levantei meu ânimo e mandei tudo às favas. Eu estava do meu lado e pronta para enfrentar qualquer consequência. Então, eu senti que me amava e esse amor deu-me toda força que eu precisava. 

(Sueli Benko)

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8 de jul. de 2012

A outra que habita em mim


Há uma outra que habita em mim e, quando resolve aparecer, 
o capeta se esconde! 
Quando se vai, resta-me ficar recolhendo cacos e, muitas vezes, 
tentando reconstruir coisas de construção tão difícil. 
Com nada se importa, nem nada teme. 
Diz o que quer, faz o que tem vontade, 
enfrenta, decide, ama, fere, diverte-se... 
Sem medo, sem dúvidas, sem pudor. 
Eu a desconheço, mas ela me domina, 
eu a repudio e ela me desmente, 
eu a evito e ela me ignora.
Há uma outra dentro de mim, 
que, "às vezes", é mais eu do que eu mesma.
E, "às vezes", 
eu a invejo.

Sueli Benko

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5 de jul. de 2012

Homenagem ao Corinthians

Essa crônica foi escrita por uma pessoa que aprendi a amar com muita facilidade.
Uma amiga que chegou das Minas Gerais, apaixonada pelo Cruzeiro, mas que aprendeu a também ter uma grande simpatia pelo Corinthians, pois sentiu a vibração dessa torcida maravilhosa. Sou Corinthiano roxa, todos os meus amigos sabem disso, e eu estava para escrever uma homenagem ao meu Timão pela vitória de ontem, quando li o texto que Sandrinha escreveu.
Não... nada poderia ser mais lindo. Eu não saberia escolher tão bem as palavras. Emocionei-me muito! Não pedi a ela, mas tomei a liberdade de copiar o texto aqui, abaixo:




"Hoje um sonho se realiza...
Não o sonho de um time, mas o sonho de uma taça, de um campeonato...
Desde que foi criada ela espera, passando por outras mãos, 
sendo entregue a outros a quem que ela não pertencia.
E paciente sempre esperou...
Nunca se viu tamanha quietude, 
nunca se viu profunda espera.
Hoje ela brilha mais nitidamente, diria, 
que ofuscante, de tanta felicidade.
Qual noiva sendo levada ao altar 
para ser entregue ao homem que ama.
Valeu a espera, valeram os anos em que foi colocada 
onde não deveria estar...
Foi de alguns, foi de muitos, trouxe sorrisos, festas, comemorações...
Fez corações explodirem, sorrisos invadirem rostos e olhares, 
fez muitos chorarem, vibrarem, torcerem...
Se extasiarem num gozo infinito de felicidade.
Foi beijada por muitos, desejada por outros tantos...
mas manteve-se integra na sua espera. 
Porém, nunca brilhou tanto como nessa noite, 
nunca ofuscou tantos olhares como hoje...
Nunca tantas lágrimas foram derramados por ela, 
nunca se cantou em tão alto som...
Nunca!
Ela parece sorrir ...
Como se um deus estivesse soprado sobre ela, a vida...
Sim, essa taça hoje ganhou vida...
Ela sorri, findou-se a espera!
Hoje realizou-se o seu mais profundo desejo... 
O Corinthians é dela...
Não foi o Corinthians que almejou a libertadores, 
não foi o Corinthians que quis ter essa taça nas mãos,
mas a Libertadores que desejou o Corinthians. 
Esta taça quis ser acolhida pelas mãos desses guerreiros
Nunca um campeonato almejou tanto um time 
como a Libertadores almejou o Corinthians!
Hoje, ela se dobra ao seu time guerreiro, 
Hoje, esse campeonato que tem vários nomes 
gravados em seu pedestal, 
recebe o único nome que sempre a mereceu: 
Corinthians...
Que venham todos e se curvem a ele, 
que se curvem em respeito ao único 
que não correu atrás dessa taça, 
mas que foi desejado por ela...
E novamente eu repito...
O Corinthians não almejou a Libertadores, 
mas a Libertadores almejou, desejou o Corinthians!
Hoje, esse casamento se realiza, 
tendo como testemunha milhões de guerreiros 
que cantam em uma só voz...
Aqui tem um bando de loucos, loucos por ti Corinthians!!!"

Sandra Botelho

26 de jun. de 2012

Já é inverno



O outono veio tão quieto e se foi tão rápido.
Os ventos levaram tudo que viram pela frente
e eu nem percebi.
Já é inverno.

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17 de jun. de 2012

Minha Casa



Minha casa é como um palco, ora iluminado, ora não. Nela, muitos espetáculos já estiveram em cartaz. Alguns por muito tempo, outros em única apresentação. Geralmente participo de todos. Ora como produtora, ora como cenógrafa, figurinista, diretora ou assistente do diretor. Já fui roteirista e, confesso ter gostado muito dessa função. Mas, também por muitas e muitas vezes, fui atriz, tanto coadjuvante, como a heroína da história. Já fui a mocinha e, pasmem, também já fui a vilã. Sem contar as vezes em que fiquei na platéia, apenas assistindo ... como crítica ou mera expectadora.

Sem querer desviar do assunto principal, que é o palco, digo, a casa, expliquei tudo isso para melhor poder me fazer entender. Não querendo parodiar Silvio Caldas, mas, se "a vida é um palco iluminado...", então minha casa é minha vida. É onde nascem os meus roteiros. É onde paro, reflito e me inspiro. As paredes do meu quarto tenho-as como minhas testemunhas e quantas histórias elas têm pra contar... É lá que lavo minha alma, choro minhas perdas e também minha saudade. Mas, belas histórias de amor, certamente gostaram de testemunhar.

Gosto, de percorrer minha casa quando me encontro só; gosto de observar cada detalhe, cada quarto, cada canto. Parece que ela se alegra e demonstra de mim  gostar. Sinto-me acolhida, protegida e tranquila quando estou nos braços do meu lar. Cada peça que encontro pelo caminho, traz-me uma boa recordação. Somente boa, porque o que não me lembrar de algo bom, lá dentro não deixo ficar.

Na cozinha de minha casa faço brincando aquilo que mais gosto de fazer: cozinhar. Assim como nas coisas da vida, na minha comida, adoro inventar ingredientes, escolher temperos e temperaturas (frias ou quentes). Adoro criar, copiar ou apenas imaginar. O prazer do sucesso ao sentir que acertei mais uma vez é indescritível. Minha cozinha sempre foi testemunha de momentos felizes, de realização. Talvez, seja o local onde, mais vezes, me senti realizada.

É claro que minha casa também já foi testemunha das dores do meu aprendizado, mas sempre aguentou firme e, paciente, nunca perdeu a esperança de ver meu sorriso voltar.

Um dos momentos mais felizes de todos os meus dias é aquele em que chego da rua e abro a porta do meu lar. Vejo que seu aconchego está ali me esperando e, carinhoso, parece dizer: que bom que chegou, seja muito bem vinda! Entre, descanse, estou aqui pra lhe proteger. Você nunca estará só; sou seu chão, seu teto e, ao contrário de muitos, estarei sempre aqui a lhe esperar.

Sueli Benko

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6 de jun. de 2012

Uma singela homenagem a Luciana


Lu querida,


Gostaria de encontrar as palavras exatas para exprimir o que lhe desejo neste momento, mas penso que elas não existem. Então, digo-lhe apenas o que penso sobre você e a sua vida. 

Eu, que a conheci no dia em que chegou a este mundo, acompanhei grande parte de sua infância e apenas perdi um pouco da sua adolescência, mas acredito ter chegado a recuperar o tempo distante, desde o momento que nos reencontramos há alguns anos atrás, e como observadora que sou, posso dizer que o sucesso na sua vida é indubitável! Não tem como não dar certo qualquer coisa que você venha a fazer. 

Seu senso de honestidade, independência, firmeza de propósito e personalidade marcante não deixam dúvida de que está pronta para brilhar. 

Nada acontece por acaso nesta vida e, apesar de todo cuidado que seus pais sempre tiveram consigo e de todo amor que lhe dedicaram, você sempre se mostrou firme no seu poder e na sua certeza de conseguir seus objetivos pelos seus próprios esforços. 

Trocou dias e noites pelo estudo, muitas vezes, agora colhe os frutos do seu investimento.

E eu aqui, pela imensa admiração que tenho por você, pelo seu caráter e, permita-me dizer, pelo orgulho que me permito sentir por ter acompanhado, mesmo de longe sua trajetória, venho até você, com muito amor (de tia, de mãe, de amiga), aplaudi-la de pé!

Parabéns, pequena grande mulher!


Você conseguiu!


Eu amo você!


Su

25 de mai. de 2012

Nossos algozes



De nada adianta nos magoarmos com alguém por algo que esse alguém nos fez. Devemos sim é pensar muito bem no que vamos fazer com "esse algo" que nos fizeram, ou seja, a forma como vamos lidar com isso. Se ficarmos magoados, o problema será somente nosso! Nossas mágoas não atingem a ninguém a não ser nós mesmos.

Para aprender a perdoar é necessário que conheçamos os dissabores da vida. Sem eles, fica tudo muito fácil, mas ao mesmo tempo, insípido. Não se aprende com o que é fácil, porque se é fácil, significa que já foi aprendido.

Também, não há mérito nenhum em querer bem somente a quem nos faz o bem; isso é muito fácil. Devemos prestar atenção no "difícil", para que possamos torná-lo fácil, o mais rápido possível.

Assim sendo, benditos sejam os nossos algozes, pois são eles que proporcionam o nosso crescimento.

(Sueli Benko)

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3 de mai. de 2012

Uma gota de orvalho



Com o outono, chegaram fortes ventos varrendo tudo que encontravam pela frente. Tais quais folhas secas que se desprendiam dos galhos pela fúria da ventania, foram meus pensamentos e desejos desprendendo-se de minha mente e de meu coração. Chegou a chuva e, assim como suas águas, lágrimas de saudade rolaram, limparam e purificaram meu coração, varrendo para longe, entre trancos e barrancos, a tua imagem e todas as tuas lembranças. Ao amanhecer, inocentes gotas de orvalho eram as únicas testemunhas que restaram da tempestade noturna.

Nenhuma folha seca ... 
                  Nenhuma saudade...
                                     Apenas a transparência de uma gota de orvalho

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26 de abr. de 2012

Sensação estranha...



Sensação estranha a que me abraça. É um tal de desejar e não querer, sentir saudade, sem falta sentir, chamar teu nome, às vezes, gritar, mas não querer te ouvir. Dentre tudo que me envolve, há um misto de amor e raiva, de paz e inferno, de treva e luz. É no amor que te tenho, no inferno que te enxergo e na luz que te desejo. Há vontade de ficar, mesmo querendo fugir, vontade de gritar, mas opto por me calar. É assim que me sinto quando penso em ti, quando estou contigo ou quando não estou. E nesse labirinto de sentimentos, emoções, desejos e negações é que te procuro e me perco, e me procuro e então te encontro, pois também me roubas e me escondes dentro de ti. 

Sueli Benko

13 de abr. de 2012

Falar alto incomoda alguém?



Sim, incomoda.

Pensei que somente eu me incomodasse, mas andei fazendo uma pesquisa e a maioria das pessoas que conheço incomodam-se com aquelas que não limitam a altura de sua voz ao conversar em locais públicos. Ou, pelo menos, em alguns locais públicos, como por exemplo, num restaurante, num elevador ou num transporte coletivo.

O problema não é somente a poluição sonora, mas essas pessoas não param para pensar que pode ter alguém nem um pouco interessado em conhecer sua história, ou o caso que têm a contar. Almoço todos os dias em restaurantes e considero o horário do almoço, um intervalo na minha rotina de trabalho, então não costumo e não gosto de falar sobre trabalho quando estou almoçando. Porém, muitas vezes sou obrigada a ficar ouvindo quem está na mesa ao lado, conversar sobre esse assunto o tempo todo (e em voz alta!). Como é  desagradável!

E quando entro no elevador? É raro o dia que não entram pessoas falando em voz alta, só que no elevador, geralmente estão falando mal de algum companheiro de trabalho (geralmente, o chefe...rs). Não dá outra, duas pessoas conversando num elevador, sempre é fofoca, ou então, estão contando alguma desgraça que tenha presenciado (não sei o que é pior). Aliás, amigos queridos do meu Brasil, aqui vai um pedido: “Não me contem as desgraças que vocês assistem por aí! Eu não quero saber! Sou abençoada por nunca presenciar essas coisas e quero continuar assim...”

E olha que nem vou falar do salão de cabeleireiro... rs.

Sou meio surda. Imagino quem tem 100% de audição e também não gosta de ficar perto de quem fala muito alto.  Afff....

Sueli Benko

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3 de abr. de 2012

Aprender a Perder



Uma vez, escrevi num dos meus antigos blogs sobre “perdas”. Escrevi há tanto tempo,  que nem vou perder tempo procurando, mas lembro-me muito bem de haver dito que, desde muito criança, comecei a lidar com perdas.  Hoje, parei para pensar sobre isso. Acabo de perder mais uma.

De repente, tudo se aclara. Tantas perdas... E eu não havia me tocado. A razão só pode ser “aprender a perder”. Reconhecer que não somos donos de nada, então, na verdade, nada perdemos. Aprender a perder significa, nada mais, nada menos, que ”ACEITAR”.

Aceitar o que não pode ser mudado. Aceitar que” não mais ter”, não significa “perder”.

Tudo em nossa vida acontece em ciclos e todos os ciclos têm começo, meio e fim. O fim, muitas vezes, dói. Mas, somente dói porque não o aceitamos.

A lição, hoje, então, não é aprender a perder.

É, simplesmente, aprender a “ACEITAR”.

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21 de mar. de 2012

Desejo de início de Outono


Que minha alma se espelhe no outono
e deixe seus sonhos dormirem tranquilos,
por todas as noites frias do inverno,
e que eles possam ser pacientes na espera,
para que possam deslumbrantes realizarem-se todos
na primeira manhã de sol da primavera.

(Sueli Benko)
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25 de fev. de 2012

Gota d'água que transborda o copo



Uma gota d’água, por ser tão pequena, traz-nos a ilusória sensação de que não machuca. Mas, experimente ficar uns oito anos numa mesma posição, recebendo os pingos de uma gota d’água no mesmo local de sua pele...

A última gota caída dói mais que a penúltima e assim por diante, mas muitas vezes, temos a esperança de que a fonte venha a secar e que as gotas já não sejam de água, apenas de brisa. Então, vamos suportando uma a uma... incessantemente... O local pode estar ferido, mas passamos um remedinho e vamos ficando expostos... porque achamos que aquela água é a única que existe e julgamos que não podemos viver sem ela.

De repente, eis que chega aquela tal gota que, mesmo sendo do exato tamanho das outras, causa um choque tão grande que nos faz dar um pulo e dar um basta! É a chamada “gota d’água que transbordou o copo”.

Isso acontece em muitos setores de nossas vidas, ou seja, no social, profissional, amoroso, etc. Já recebi em minha vida, algumas dessas gotas fatídicas. Recentemente, caiu uma bem em cima do meu nariz.  Engraçado, não doeu (acho que o local já estava anestesiado, insensível, sei lá). Mas, chocou. Chocou tanto que pulei fora, de forma assustadoramente assustada!

E pude ver que há um oceano muito grande, com água abundante à minha volta. Mas devo confessar que, talvez por costume, e mesmo não desejando de forma alguma voltar a me posicionar no lugar de outrora, em alguns momentos sinto ainda muita saudade do toque daquela gota e fico olhando para o lugar onde ela continua a cair... (fora de mim).


Sueli Benko

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10 de fev. de 2012

Flores e Pedras



Hoje, olhando para as belas flores do caminho,
lembro-me do tempo em que só havia pedras.
Olho mais atentamente e vejo que as pedras continuam lá.
Percebo, então, que o que mudou foi apenas a minha atenção.

Enquanto me encanto com as flores,
 não me atento às pedras,
mas é por elas que subo 
e que chego onde devo chegar.


Sueli Benko

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16 de jan. de 2012

Sobre "crenças"


"Nenhuma religião, cultura, raça ou filosofia é dona de um caminho único. Acreditar que só existe um caminho e que todos os outros estão errados é um alicerce falso que promove ainda mais separação e dor. Muitas vezes nós adotamos as convicções dos outros ou de uma ideia que escutamos durante toda a nossa vida, mas que nunca realmente testamos. A convicção interior tem a ver com algo que questionamos, experimentamos em primeira mão, e descobrimos ser verdadeiro, ou seja, que funciona. Se quisermos ficar encurralados na estagnação, podemos continuar andando nessa corda bamba que mata nossa capacidade de crescimento, ao confinar nosssa vida a uma monotonia linear e uniforme."




(trecho do livro "Dançando o Sonho", de Jamie Sams)


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21 de dez. de 2011

Sr. EGO

Imagem: caminhos da mudança.blogspot.com


Há dias venho sentindo vontade de falar sobre o “EGO”, esse nosso companheiro de quase uma vida inteira. Já sei, alguém deve estar dizendo “quase, não, de uma vida inteira, sim senhora”. Pois eu digo que não. Não acredito que tenhamos nascido com ele. Ele é formado por tudo aquilo que vamos aprendendo ao longo da vida, com quem nos rodeia, com os conceitos que vamos formando sobre tudo e sobre todos, ou seja, com a falsa verdade que, por ignorância, os outros nos passam.

O ego não é mau, ele apenas acredita que somos aquilo que pensamos que somos e nos faz agir como se fôssemos mesmo. Complicadinho, não é? Mas, é isso mesmo. Ele é tão convencido, orgulhoso e mimado, que sofre demais diante de qualquer descontentamento. E, como é cria nossa, acreditamos realmente que somos nós que estamos sofrendo. Mas, o sofrimento não é nosso, é dele. E, pensamos que somos ele.

Com isso, esquecemos de que somos algo muito superior, somos a “alma”. O dia em que conseguirmos fazer essa distinção, descobriremos como a vida é divina e como é divino viver. O ego, por ser um instrumento da mente, apresenta maior facilidade de contato. Por essa razão, o ouvimos muito mais facilmente. Mas, quando conseguimos colocar a “alma” acima dele... Ah! Não há quem nos segure e não há o que consiga nos magoar. Porque alma não sofre, porque alma não exige, alma não “precisa de... “. A alma é completa em si. É a centelha divina em nós.

A alma ama porque vive de amor, mas não o cobra porque ela já é amor.... em si. A alma dá pelo prazer de dar e não pela necessidade de receber. A alma pode amar a tudo, a todos e, principalmente a si. Mas, somente conseguiremos enxergar isso se a colocarmos no comando de nossas vidas.

Todavia, pela facilidade do contato com o ego, sempre o deixamos agir livremente e nos trazer todos os tipos de sofrimento, pois o orgulho é seu maior amigo e companheiro constante. É claro que ele também pode nos proporcionar algumas alegrias, mas alegria é diferente de felicidade. Felicidade vem de “realização” e somente quem tem competência para se realizar é a alma.

Quantas pessoas são prisioneiras de seu ego. Preferem sofrer, sofrer e sofrer, mas nem por um segundo concordam em dar o braço a torcer. Preferem a rigidez de suas convicções a enxergar o tamanho enorme da felicidade que têm pela frente. Negam-se a ter momentos felizes para, simplesmente, poder estar bem com seu ego egoísta, tolo e ignorante. Essa atitude é de uma pobreza total. Mais pobre ainda é quando a pessoa, mesmo visualizando novos caminhos, insiste em continuar assim sem se dar a chance de ser quem realmente é: um ser criado por uma Inteligência Divina, com tudo para ser feliz, mas que prefere fechar-se no casulo de sua ignorância, digo de seu ego.

Sueli Benko

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14 de dez. de 2011

Ilusão



De que era feito aquele teu amor jurado, 
intenso e eterno que, de repente, 
não mais que de repente, 
ao primeiro tropeço, 
se desmanchou em cinzas?
Dizias que não te importava 
por não ter sido o primeiro, 
mas de ser o último, 
não abrias mão. 
Que para isso, 
oferecias-me todos os teus momentos, 
todas as tuas juras e todo teu coração.
Não, não precisas responder. 
Era do mesmo material dos sonhos que acalentei, 
das sombras que percebi 
e das promessas que acreditei.
Não, não precisas responder.
Eu já sei.
Era tudo feito apenas de ilusão.

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7 de dez. de 2011

Solidão Feminina



Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas - e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente - e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.

Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior - com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando - senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.   

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa - desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos.

Repasse para suas amigas, especialmente para as que não sabem fazer  sua "solidão contente!" e para seus amigos entenderem e valorizarem a riqueza interior de certas mulheres comparada aos homens.

Ivan Martins (Editor-executivo da Revista ÉPOCA)

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Minha irmnã enviou-me esse texto ontem, com o seguinte comentário:
"Parece que isso tem a sua cara".
Ela acertou. Realmente é a minha cara!
Amei, por isso divido aqui com vocês.
Abração apertado para todos.
Sueli

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3 de dez. de 2011

Conhecendo as redondezas



Hoje tive uma manhã atípica. Resolvi dar umas voltas pelo meu bairro. Não que eu nunca faça isso, mas hoje foi diferente: fui à pé. Sim, caminhei durante uma hora e fiquei impressionada com o monte de descobertas. Mudei-me para cá há alguns meses, mas não conhecia quase nada ainda pelos arredores. E descobri tantas coisas que eu nem imaginava que poderia encontrar por aqui. Descobri dois sapateiros (fiquei muito feliz com isso, pois a profissão de sapateiro está em extinção, eu acho), um depósito de embalagens e artigos para festas, um açougue com ótimos preços (o filé mignon a 28,00/kg), três perfumarias, uma adega,  trocentos salões de beleza, trocentas lojas de material para construção, uma casa de artigos comestíveis nordestinos (vendem até feijão de corda, então vou poder fazer baião de dois), etc. Descobri até um ponto final de ônibus que vai até Pinheiros.  Ah! Passei por uma casa que tinha no varal uma toalha de praia com o distintivo do TIMÃO e fiquei imaginando que ali deveria morar pelo menos um corinthiano (será que estaria, como eu, apreensivo com os jogos de amanhã?...)

Passei por uma rua estranha, com uma energia muito pesada e imaginei como deveria ser horrível morar ali. Em compensação, cheguei num lugar bem alto, bonito e, ao me virar, avistei o prédio que moro, ao longe. E, se eu não morasse ali, eu teria pensado, com certeza: “Ah! Como eu gostaria de morar naquele lugar”. Foi muito gostoso confirmar que hoje eu moro exatamente onde eu gostaria de morar.

Na próxima vez, vou conhecer o outro lado...

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