21 de fev de 2010

Minhas vidas

Folhas ao Vento - D. Guerras

Seria a vida terrena somente a transposição de um tempo desde o dia que se nasce até o dia que se morre? Pensando aqui com meus botões, cheguei à conclusão que não. Eu, pelo menos, desde que nasci, com toda certeza deste mundo posso afirmar que já tive mais que uma vida.
Haverá alguém a dizer que estou confundindo as coisas, que a pessoa muda mesmo, que é natural, e pode-se, então, ter a impressão que a vida também mudou. Não! Não é o meu caso, com certeza!

Minhas vidas, dentro desta encarnação, foram tão diferentes umas das outras, que não tenho como compará-las nem acreditar que tenham sido uma só. Fui uma pessoa diferente em cada uma delas, como se realmente fossem diversas encarnações. As pessoas que fizeram parte delas, com exceção de algumas, foram diferentes, os locais onde vivi em cada uma delas, muitas vezes, foram diferentes, meus sentimentos, gostos, conceitos, interesses, valores e tantas outras coisas mais, salvas algumas tendências, foram diferentes também. Já fui boba, já fui esperta, já fui submissa, já fui autoritária, já chutei o pau da barraca, já deixei prá lá, já passei fome, já vivi na abundância, Já comi caviar e também casca de batata, já amei e fui correspondida, já amei e não fui correspondida, já fui católica, ubandista, seicho-ho-iê, espírita e espiritualista, já acreditei em Deus, já duvidei de Deus, já conheci o céu e já conheci o inferno.

E minha aparência física? Ah... não poderia ter ficado de fora. Quantas eu tive? Não sei. Perdi a conta. Chego a não ter lembranças nítidas de algumas delas. Já fui gorda, já fui magra, já fui normal, já adorei meu corpo, já o odiei também.

Alguém, com certeza, irá dizer “Isso é falta de personalidade...”. Certamente, em algumas de minhas vidas eu iria ofender-me com tal comentário e partir para uma discussão, na tentativa de provar a todo custo que a pessoa estava enganada ao meu respeito. Sim, eu já vivi vida em que precisava provar para alguém o que e como eu era e não admitia que pensassem o contrário. Já bradei muitas vezes (e com muito orgulho, na época) que não levava desaforo pra casa. Quanta besteira...

Mas, minhas vidas têm algo em comum: nunca foram constituídas de apenas “um dia após o outro”. Foram tantos os eventos, revezes, dramas e comédias, picos de lágrimas e alegrias, de frustrações e realizações, que nunca poderei me queixar de tédio.

Ainda estou em minhas reflexões, tentando classificar a todas elas. Nem sei se isso tem importância, talvez seja apenas uma tola curiosidade, pois na verdade, a que realmente me interessa é a atual. Mas, por enquanto, pelo menos já cheguei à conclusão de que tive uma vida dirigida pela mente, outra pelo espírito e agora, acho que estou começando a experimentar a vida regida pela alma... E estou gostando disso...

Sueli Benko

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16 de fev de 2010

Pura ilusão ...


Recebi o envelope selado com um coração
e com mãos trêmulas de felicidade o abri!
(Pura ilusão...)
Era tua carta de Adeus...
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