30 de mar de 2009

No trãnsito


Estou no trânsito, indo para o trabalho. Tudo parado. O que me distrai é o rádio e os pensamentos que se afloram sobre um novo projeto. Há muito deixei de impacientar-me com os congestionamentos. Tenho sempre em meu carro, um bloco de papel e uma caneta, pois na última hipótese, se não tiver nada de interessante para ouvir ou nada de novo para pensar, resta-me fazer algo que gosto muito: escrever.

Na falta de um assunto, já aprendi. Basta escolher uma palavra qualquer, que, ao ser colocada no papel, recebe uma fecundação qualquer e começa a reproduzir-se automaticamente. Minha mão apenas obedece ao comando.

Acabei de pegar meu bloco e minha caneta, mas eis que olho para frente e vejo uma cena que me faz mudar o assunto sobre o qual ia escrever. É algo que, apesar de não mais me deixar indignada, haja vista a frequência com que acontece, ainda incomoda-me muito. O rapaz do carro da frente (chapa BNU-0570) acaba de jogar um lixo pela janela.

Por mais que a cidade esteja suja, não tenho coragem de colaborar para que fique um pouco mais. Perdoe-me quem me ensinou que não devo julgar os outros por mim, mas, não isso não dá para aceitar numa boa, não. Sou obrigada a aceitar por ser um fato consumado, mas a vontade que sinto é de sair do meu carro, ir até lá, catar o lixo e jogar dentro do carro do fulano de novo. Confesso que só não o faço por covardia. Tenho medo de apanhar. Afinal, está tão na moda agora o homem querer medir força com mulher (como se não soubéssemos que eles são mais fortes fisicamente).

Fico imaginando o que leva uma pessoa a ter uma atitude dessa com tanta naturalidade. Se fosse uma criança, eu até poderia entender. Poder ser que ainda não tenha dado tempo dos pais ensinarem, mas um adulto...

Bem, o trânsito já está fluindo e sei que daqui a pouco já terei esquecido o incidente. Huuumm... mas sobre o que eu ia escrever mesmo? ... Ah! Sei lá.

Sueli Benko

27 de mar de 2009

Saudade chora ...

Não sei se a saudade está me matando
ou se é de saudade que eu estou vivendo,
pois toda minha vida é feita de amor
e meu amor hoje ...
... é todo feito de saudade.

Sueli Benko
(postado no blog antigo, em abril/2008)


Saudade quando chegava, era para me enlouquecer.

Hoje, saudade não chega.

Não chega porque nem vai embora

Saudade gostou desta casa

Gostou do permanecer.

Mas hoje já não me enlouquece

E eu continuo aqui.

Hoje, ela chora e me abraça

Sim, hoje é a saudade que chora

Pois sente falta de ti.

...

Sueli Benko

23 de mar de 2009

O outono

Imagem retirada do site Downfull


Ele chegou tão de mansinho que nem o verão percebeu...

Outono é minha estação predileta. Outono lembra-me renovação. Tudo se repete na Natureza. O modelo é uno. As folhas secam e caem. Tudo parece morto, mas num belo dia, começam a despontar os primeiros brotinhos e o ciclo continua, transformando-os em folhas verdes e viçosas. E, como tudo passa, um dia voltarão a cair.

Assim como em nossa vida, é necessário que o velho se vá para que o novo chegue mais vigoroso, mais sadio e mais bonito. O inverno interpõe-se entre o outono e a primavera, tempo em que folhas novas nascerão. Assim somos nós (ou deveríamos ser). Deixarmos que o velho se vá e criarmos um intervalo entre ele e o novo que deverá chegar. Um intervalo para que possamos voltar nossa atenção para nós mesmos, exigindo de nossa mente o silêncio profundo e, então, refletirmos para poder entender os desejos de nossa alma. Aí, então, partir para a conquista do novo, ou esperar que ele chegue.

Cada folha seca que cai é um (pre) conceito vencido. Cada folha nova que nasce, uma chance de acertar. Saber entender o novo é uma arte, mas também, por outro lado, saber reconhecer a beleza de uma folha seca é divino.

Sueli Benko

21 de mar de 2009

O circo da vida

Photobucket - arcilla46


“Como é belo sermos trapezistas nesse circo em que a vida se transforma... Às vezes estamos na corda bamba, às vezes fazemos papel de palhaços, às vezes rimos dos outros palhaços, outras vezes rimos de nós mesmos - e ainda muitas outras vezes enfrentamos as feras. Mas vivemos sempre lá em cima, trapezistas da nossa própria existência, bailarinos da nossa própria esperança.Muitas vezes tiramos até as redes de proteção para que o risco seja maior que o riso, para que nossos saltos sejam mais emocionantes e mais altos, para que a aventura seja ainda mais perfeita e mais profunda.E se um dia nós voarmos de encontro ao chão, isso não terá nenhuma importância maior, porque também viveremos a emoção da própria queda. Quem cai por amor à vida, cai sempre para cima!

(Marson)




Recebi esta mensagem de um amigo e achei sensacional a comparação. Costumo comparar a vida com uma escola, mas nunca a havia comparado com um circo. Fiquei pensando na platéia e também aí encontrei incrível semelhança. Se o palco é nossa vida, suponhamos que haja uma platéia somente de “amigos” (entre aspas, mesmo).

Lá, então, teremos aqueles que nunca nos aplaudem e somente nos criticam (são os amigos invejosos);

os que conversam o tempo todo e não prestam atenção alguma ao espetáculo (são os amigos dispensáveis);

os que fingem estar aplaudindo, quando estamos para eles olhando, mas, ao virarmos as costas, criticam-nos com críticas nada construtivas (são os amigos falsos);

os que nos aplaudem entusiasticamente sempre, independentemente de terem gostado ou não (são os nossos amigos puxa-saco);

os que se dizem amigos mas vão assistir o seu show somente para prestar atenção no seu par (amigo sem qualificação, não sei como classificar);

os que vivem pedindo desconto no ingresso de nosso show, mas sabemos que em outros, eles pagam até mais caro para não deixar de assistir (são os que estão ao nosso lado somente por algum interesse qualquer, mas que não tem nada a ver com a amizade);

e, finalmente,

os que aplaudem mais ou aplaudem menos, mas aplaudem, dependendo do que vêem, e após o espetáculo, vão até o nosso camarim parabenizarem-nos pelo sucesso ou dar-nos uma palavra de conforto caso não tenha sido um dia de sorte; estes, podem até não estar presentes no dia do show, mas fazem questão de mostrar que estavam, mesmo que em pensamento; (estes são os nossos amigos de verdade).

(Os meus amigos do blog estão todos nesta última classificação)

Estes foram os amigos que vi na minha platéia, mas aposto que vocês saberão encontrar outros tipos de amigos também na platéia de vocês; basta observar.

Sueli Benko

20 de mar de 2009

Dia 20 de Março - DIA DO BLOGUEIRO

Imagem copiada do Blog Café com Notícias

Gente, eu não sabia que existia o “Dia do Blogueiro”.

Fiquei sabendo através de minha amiga-irmã-comadre Ana Luiza, do Bar da Ruiva e foi uma novidade muito boa, por sinal, pois a blogosfera hoje, faz parte de minha vida. Lá no Bar, mais tarde, faremos uma comemoração virtual e convido a todos para comparecer, pois haverá bebida liberada para todos, por conta da dona da casa. E, já viu, né, bebida virtual é a única que não dá problema com a Lei Seca ... rs.

Amigos blogueiros, vamos divulgar o nosso dia!!!

Sueli

18 de mar de 2009

Amante cachorra


Todas as manhãs, assim que acordo, num gesto que até chamaria de automático, levo a mão ao meu rádio de cabeceira, que já está sintonizado na CBN, ligo-o e fico ouvindo o Heródoto Barbeiro. Adoro as piadinhas sobre futebol que ele, corinthiano roxo, faz com as repórteres de rua, adoro as crônicas do Sardemberg, Mauro Halfeld, Juca Kfouri e Arnaldo Jabor, entre outros. Minha vontade seria ouvir o programa inteiro, mas não dá, então fico ouvindo até chegar a previsão do tempo, afinal dependo dessa informação para escolher minha roupa... Às vezes penso ser uma desculpa que dou a mim mesma para poder fazer mais um pouquinho de hora na cama (quantas vezes torço para a moça do tempo atrasar-se...rs) E, enquanto espero, vou ouvindo o programa, meio acordada, meio dormindo ...


Estava eu hoje num desses momentos quando percebi que Jabor falava sobre políticos ladrões. Eu devia estar ressonando no início e comecei a prestar a atenção quando ele começou a dizer algo sobre: “ ... ladrões bem sucedidos ... orgulho da cafajestice ... todos arranjam amantes cachorras ... de correntinha no tornozelo ... Êpa! Correntinha no tornozelo? Acordei. Ouvi o restante da crônica, mas havia perdido o fio da meada. Porém, a “amante cachorra de correntinha no tornozelo” ficou. Levantei minha perna e olhei. Ela estava lá. Dourada com um pequeno pingente brilhante. Sorri. Eu ... tornozeleira... amante cachorra ... rs. Será? Será que realmente é isso que podem pensar de uma mulher que usa um enfeite no tornozelo?... Lembrei-me de uma amiga, cujo marido não a deixava usar esse adereço. Tomara que ele não tenha ouvido o programa, pensei. Mas, o que significa uma amante cachorra, perguntei-me. Uma ofensa ou um elogio..? Poderia ser uma coisa ou outra, depende... (preferi considerar um elogio...rs)

Mas o tempo era curto e eu precisava ir para o trabalho. A moça do tempo avisou que iria chover à tarde. Vesti-me e olhei novamente para meu tornozelo. Deveria tirar a correntinha? Sim ou não? ... Sim, devia tirá-la e foi o que fiz.

Era dourada e não combinava com a roupa de hoje. Tirei, guardei, peguei a prateada, coloquei no meu tornozelo e saí para o trabalho fantasiada de amante cachorra... rs.
Sueli Benko

15 de mar de 2009

DESEJO


Tema Desejo - Tertulia Virtual - Março


Desejo em Espiral - Rose Canazzaro


“Conta-me teus desejos e te direi quem és”

O que é nossa vida senão um punhado de desejos?

O que é nossa felicidade senão um desejo satisfeito?

O que é nossa tristeza senão um desejo frustrado?

Quem serias tu se meu desejo não te notasse?

Quem seria eu se de desejos não me fizesse?



Desejo meus desejos vivos,

simples ou loucos, na boa ou na raça.

Desejo sempre minha vida viva

e que a morte, nunca de desejo se faça.



Sueli Benko

14 de mar de 2009

Permita-me ser seu espelho essa noite!


Então eu estou aqui

e você também

Me permita ser o seu espelho esta noite

cantar em mim o teu encanto,

tua estranheza e teu espanto

Como quem sabe no fundo

que não há distância neste mundo,

pois somos uma só alma

Me permita ser esta noite

a voz que te canta e se encanta de ti

Que te faz sentir-se e parar,

como quem volta pra casa

e resolve se amar.


Somos livres e não possuímos as pessoas

Temos apenas o amor por elas e nada mais

E é preciso ter coragem para ser o que somos

Sustentar uma chama no corpo,

sem deixar a luz se apagar

É preciso recomeçar no caminho que vai para dentro,

vencendo o medo imaginado,

assegurar-se no inesperado,

confiando no invisível,

desprezando o perecível,
na busca de si mesmo

Ser o capitão da nau

no mais terrível vendaval

Na conquista de um novo mundo

mergulhar bem no fundo

para encontrar nosso ser real

E rir, pois tudo é brincadeira

Que cada drama é só nosso modo de ver
A vida só está nos mostrando

aquilo que estamos criando

com nosso poder de crer.


(Luiz Antônio A.Gaspareto)

9 de mar de 2009

Ansiedade & BSP


Às vezes, pergunto-me por que inventamos tantas guerras contra nós mesmos. Certo estava quem afirmou que nosso maior inimigo está dentro de nós. Queremos sempre encontrar um culpado para nossas dores, nossas decepções, nossos fracassos, mas, se pararmos para pensar, os únicos causadores de tudo isso são certos sentimentos que insistimos em cultivar.

Desde que uma mestra ensinou-me que todos os nossos sofrimentos (sem exceção) tinham sua origem em algum dos quatro medos principais (medo de perder, medo de enfrentar, medo do abandono e medo de morrer), a cada dor que surge, procuro sua origem em alguma dessas nascentes. Descobri que o segredo não está em eliminar a dor, mas sim, em eliminar o medo.

Mas... como acabar com um medo? É muito difícil, não é? Sim, é. E como é! Mas a boa notícia é que é possível.

Só que é preciso acreditar nessa possibilidade. Muitas vezes, para se conseguir essa façanha, é até necessário alterarmos alguns conceitos e convicções. Sei que para algumas pessoas isso também é muito difícil, mas, que tal abrir a cabeça para conhecer o novo e refletir um pouco sobre “coerência” ou sobre “quem inventou isso que aprendi”?

Um exemplo: o medo de enfrentar (convicção errônea: derrota = fracasso).

Por que o medo de enfrentar? É óbvio que o medo está focado no resultado. E no resultado de algo que ainda não aconteceu (futuro), ou seja, “medo do que não existe”. Conclui-se que ansiedade é a pretensão de querer adivinhar. É um dos sentimentos mais inúteis que podem existir.

Como podemos trabalhar isso? Usando o poder do mais santo remédio: o auto amor.

O auto amor tem um ingrediente que apelidei de BSP (Bancar a Si Próprio).

BSP nos ensina a sempre ficarmos ao nosso próprio lado, nunca nos condenarmos, nunca nos desacatarmos, nunca nos arrependermos, nunca nos criticarmos, nunca nos abandonarmos, nunca aceitarmos permanecer caídos, se impossível for impedirmos uma queda.

Diante de uma situação crítica, se eu me perguntar: “O que de PIOR pode me acontecer (mas o PIOR mesmo)? Ao obter a resposta, pergunto-me: “Se esse PIOR acontecer, o que farei por mim? Como eu me tratarei? Onde me colocarei? Será que, se o pior acontecer, serei capaz de encarar esse pior como um aprendizado e não como uma derrota? Serei capaz de acreditar que precisei daquilo para me fortalecer? Serei capaz de aceitar que a derrota somente está na cabeça de quem quer encará-la como um “fim”? Serei capaz de olhar para dentro de mim, erguer a cabeça e dizer-me: “Vem, vamos seguir em frente; mais um passo dado, mais uma lição aprendida. A coisa aconteceu, já passou, mas eu estou aqui – comigo! Eu, comigo, sempre!”

É bom acreditar que a vida é bela e que o sucesso pode não estar onde o enxergamos, que as alucinações que temos podem nos atrapalhar muito se não entendermos que são falsas. Às vezes, a vitória está, não no encerramento de um caso, mas na certeza de termos aprendido o que fazer com ele e de termos extraído dele aquilo que deveria ter sido nosso principal objetivo: termos conseguido aprender o BSP, pois o dia que tivermos nos diplomado nesse quesito, jamais a ansiedade encontrará o caminho para chegar até nós.

Quem escreve isto é alguém que ouviu, refletiu, assimilou, praticou e conseguiu. Minha prática foi adquirida ao enfrentar o medo de perder. Sei que tem alguém aqui que está precisando urgente aprender a perder o medo de enfrentar (deu até um trocadilho aqui... rs). A essa pessoa eu digo: o método é o mesmo. Ninguém precisa ser infalível, ninguém precisa ser perfeito, ninguém precisa ganhar todas. Todos têm o direito de se esquecer, todos têm o direito de errar, todos têm o direito de perder e, principalmente, todos têm o direito de “recomeçar”.
Se o “PIOR” acontecer, você terá uma das maiores vitórias de sua vida se conseguir BSP (Bancar a Si Própria)!!!

(O resto, será apenas ... o resto)

Sueli Benko

8 de mar de 2009

Dia Internacional da Mulher


Eu apenas não queria deixar passar em branco. Pensei em algo simples para escrever, algumas palavras apenas que, de certa forma, homenageasse a nossa classe. Queria falar das mulheres em geral, mas descobri que não basta ser mulher. É preciso ser mulher íntegra, mulher sincera, mulher honesta, mulher cúmplice e tudo isso resume-se na "mulher amiga".

Se não souber ser amiga, não adianta ser mulher.

Assim sendo, rendo hoje minha homenagem a todas as minhas amigas!!! (incluindo mãe, irmã, noras, sobrinhas e primas, pois de nada adiantaria o parentesco se não fossem minhas amigas).

Muito agradecida pela amizade que me dedicam, pois ela é meu esteio, meu calmante, meu ponto de apoio, minha companhia, meu alento, meu muro de arrimo, meu prêmio.

Amo vocês, meninas!

Sueli

1 de mar de 2009

Uma notícia e um convite

Meus queridos amigos:

Hoje, tenho uma notícia e um convite especial.

Notícia: temos duas blogueiras novas no pedaço. Uma é Ana Elizabeth, diretamente de Cajazeiras, na Paraíba. Doce e adorável. A outra é Regina Márcia, uma mineirinha amiga minha que não conhecia ainda a blogosfera. Elas têm vocação para escrever e serem simpáticas, por isso as incentivei a conhecer este nosso mundinho bom. Felizmente gostaram, então fomos agraciados com mais duas amigas.

Convite: visitem seus blogs:







Abração proceis!

Sueli